
Retextualização
Autor: Maria Flor de Maio Barbosa Benfica,
Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais-PUC Minas,
Denomina-se retextualização o processo de produção de um novo texto a partir de um ou mais textos-base. Em eventos linguísticos rotineiros, a atividade de retextualização é exercida para atender aos mais diversos propósitos comunicativos: uma secretária que anota informações orais do chefe para redigir uma carta, uma pessoa contando a outra o que leu em jornais e/ou revistas, alunos que fazem anotações em uma aula, dentre outros. Embora esse processo aconteça naturalmente, não é mecânico, pois envolve operações complexas que interferem tanto na linguagem e no gênero como no sentido, uma vez que se opera, fundamentalmente, com novos parâmetros de ação interlocutiva, porque é um novo texto que será produzido: trata-se de atribuir novo propósito à interação, além de redimensionar as projeções de imagem dos interlocutores, de seus papéis sociais e comunicativos, dos conhecimentos partilhados, das motivações e intenções, do espaço e do tempo de produção e recepção.
Nesse sentido, retextualização, revisão e reescrita são processos distintos. Enquanto o processo de retextualização implica modificações profundas no texto, em função da alteração dos propósitos comunicativos ou dos gêneros envolvidos na atividade, nos processos de revisão e reescrita trabalha-se o mesmo texto, com o objetivo de aperfeiçoá-lo, ajustá-lo à situação discursiva, mantendo-se, portanto, inalterado o propósito comunicativo. Assim, revisão e reescrita são etapas do processo de refacção de um texto produzido, antes de sua divulgação.
A REESCRITA DE TEXTOS APRIMORA A PRODUÇÃO TEXTUAL
Reescrever um texto significa moldá-lo visando à perfeição
Se tomarmos a palavra reescrita no seu sentido literal, concluímos que se trata de algo ligado à correção de possíveis falhas durante a construção textual.
Mas neste contexto, ela deve ser entendida como um auxílio, principalmente ao nos referirmos à produção de textos narrativos.
Normalmente, a prática pedagógica se dá da seguinte maneira: O educador determina a tipologia textual a ser desenvolvida durante esta ou aquela aula.
De posse dessa incumbência, o aluno apresenta traços de dificuldade em construir um enredo coeso e coerente com vistas a atender a exigência preestablecida.
Cabe ao educador usufruir de estratégias múltiplas no intuito de “capturar” as dificuldades apresentadas e colocá-las em prática, de modo a superar os obstáculos.
Representando essa multiplicidade de estratégias está a reescrita de textos mudando o foco narrativo, os personagens, narrador, espaço e outros elementos relevantes ao texto narrativo. Tendo como suporte um outro texto já apresentado pelo professor.
Concretizando, portanto, será necessária uma leitura prévia do texto padrão, na qual deverão ser enfatizados pontos de extrema relevância, tais como:
- A maneira pela qual o narrador iniciou a história.
- Como ele delineou seus personagens, destacando traços característicos, como o perfil físico e psicológico dos mesmos.
- A linguagem utilizada para expressar sentimentos e emoções.
- O modo pelo qual sucederam os fatos durante o desenrolar da trama.
- O momento mais emocionante dentro da narrativa, destacando o clima de suspense provocado por parte do leitor.
- O objetivo do narrador em determinar um final para a trama, seja este triste, cômico ou dramático, entre outros.
Caso seja possível, sugerir que a mudança do foco narrativo seja para a primeira pessoa, isto é, para um narrador-personagem, pois ao participar da história o aluno se sentirá mais motivado a ser o sujeito de sua própria criação. Portanto, terá mais incentivo em “dar asas à imaginação”, incrementando mais o enredo e, consequentemente, tornando-se autor de um excelente texto.
Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola
Graduada em Letras
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